Jogo do pau na festa anual da F.N.A.T. em 1946

Stadium_S2_N190_24Jul1946_0008-0009.jpg

E a festa terminou com vistosas e emotivas demonstrações de jogo do pau – a esgrima portuguesa – dirigidos pelo diretor e pelo mestre do Grupo de Jogo do pau de Cabeceiras de Basto, srs. Manuel Marques e Adelino Barroso. Um espectáculo de beleza e alegria deste inolvidável festival de Educação Física da F.N.A.T..

“Stadium” Nº 190, 24 de Julho de 1946

Mestres do Ginásio Clube Português desde 1895 até hoje

Desde 1895 que o Ginásio Clube Português tem apoiado o Jogo do Pau, sendo o primeiro ginásio a ter uma classe desta arte ao lado de todas as outras atividades desportivas praticadas pelo mundo fora. Estes são os mestres que têm orientado estas aulas ao longo destes 3 séculos:

Pedro Augusto da Silva

Artur dos Santos

António Lapa

Humberto Caldas

Frederico Hopffer

Francisco Hopffer

Júlio Hopffer

Armando Sacadura

Nuno Russo

O primeiro “Sportman”

o primeiro sportsmanDesde que um autor dramaturgo em voga afirmou à plateia de um teatro lisboeta que o imortal poeta dos Lusíadas perdera  o olho numa garraiada em Vila Franca de Xira – querendo assim mostrar que a nossa aficion tauromáquica remonta a épocas distantes, é lícito supor que o mesmo esforço de inventiva, que o primeiro sportsman, o primeiro jogado de pau, o primeiro esgrimista, em suma, foi o pai Adão, quando, pela necessidade de defender a pele contra os ataques dos bicharocos anti-diluvianos, pegou no pronto duma árvore e feriu sobre os mesmos bicharocos bordada de cego.

Nestas circunstancias, desnecessário é investigar pacientemente em que data da era crista nasceu o primeiro homem digno de ser qualificado o patriarca dos sports. O pai Adão praticou-os, não direi à maravilha, mas com a intenção do seu valor e se a história não mente, atingiu mesmo uma tal ou qual perfeição na chamada ginástica acrobática, pelas suas cabriolas simiescas.

Já temos, portanto, que em esgrima do jogo do pau, em saltos mortais, duplos saltos, etc, o primeiro homem que Deu colocou na terra foi também o precursor dos atletas antigos e modernos, pelo menos nas especialidade que acabamos de citar.

“Os Sports Ilustrados” nº 29, 31,  de Dezembro de 1910.

Fidalgos da Província

João de Olivença em “Occidente” 30 de Dezembro de 1900.

RECORDO-ME dos fidalgos da província, e com eles convivi na adolescência, e na minha juventude. Foi ontem, sou lembrado que eram a nota pitoresca, simpática, em a sociedade de há trinta anos. (…)

Ao cair da tarde, quando já esmorecia o Malho, o senhor ladrão, o frade, ainda se ouvia o estalejar de um ou outro foguete de sete respostas, e soar o bombo, batido pela enorme vaqueta de cabeça de trapos, e também a serranilha alegre da gaita de foles, que enchia vales e montes de toadas de encanto inolvidável, que pareciam a própria voz das giestas, das congossas azuis, dos belos e verdes olmeiros e das mais árvores e penhas!

Ás vezes sentia-se grande reboliço. Toda a romagem, como onda que vem alastrando corrida sobre uma praia, desmandava-se a um lado, e era grande a grita; e vozes diziam: fujam; e os ébrios, erguendo-se cambaleantes, respondiam: – Qual fugir, nem qual diabo!

As mulheres, tapando as orelhas com as mãos, davam uivos lastimosos. Mas, por fim de contas, era o fidalgo que varria a feira, como lá se dizia, fazendo sarilho com um grande varapau ferrado, e impávido, ia levando diante de si os valentes, que não entestavam com ele, já pelo respeito que lhe tinham, já pelo receio de ficarem deslombados.

Bons tempos e bons fidalgos!

 

 

Provas anuais das aulas de Educação Física na Escola Académica 1906

OOcidente-revista-ilustrada-de-Portugal

“No Dia 24 realizaram-se as provas de educação física, compreendendo ginástica, esgrima de pau e de florete e patinagem.

(…) O programa constava dos seguintes números: exercícios elementares de ginástica, marcha em ordinário e acelerada, ginástica sueca, exercícios no ripado, na trave e nos arcos. Jogo de pau, cortesias e assaltos. Esgrima de florete. Patinagem, quadrilhas, corridas e jogo da rosa. (…)

Todos estes exercícios despertaram o maior interesse dos assistentes, pela perfeição com que foram executados, chegando por vezes a serem calorosamente aplaudidos os alunos, muito especialmente no jogo do pau, tão nosso, tão português que entusiasmou verdadeiramente os espetadores.”

“O Ocidente” N.º 991 ( 10 Jul. 1906 )

 

 

Hier ruht ein tapferer portugiese

O reconhecimento da bravura lusa pelo adversário, também se encontra nos relatos alemães desta batalha. Em muitas trincheiras, só se havia distribuído seis balas a cada soldado português (casos houve em que apenas receberam três)! Tal não significava a desistência da luta. Muitos portugueses pegaram nas suas espingardas e usaram-nas como no jogo do pau. Este pormenor, mencionado num relatório alemão, foi reconfirmado pelos guardas do Museu Militar, (…)

Até ás décadas de 50 e 60 do século passado, recrutavam-se os guardas do Museu Militar de Lisboa, entre os veteranos da Grande Guerra. Muitos gostavam de mostrar a peça mais emocionante na sala da “sua” guerra: uma cruz simples, em madeira, retirada de uma das trincheiras da batalha de La Lys. Era a cruz de uma campa de um soldado de nome desconhecido. Mostra a inscrição em alemão: “Hier ruht ein tapferer Portugiese” (AQUI JAZ UM VALENTE PORTUGUÊS).

Por Rainer Daehnhardt, texto completo em: http://www.grifo.com.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=228