D. Alvaro – Os viscondes d’Algiao

Padre João Eu sei lá o que ele é ! Um maluco, um doidivanas, que nunca há de tomar juízo  nem caminho! Insigne jogador de pau, pimpão de feiras, etc., etc. Um homem de quarenta anos, viúvo e com filhos, meter-se em partidos contra o irmão ! …  (…)

D. Álvaro (erguendo-se, e num tom mais familiar) — Pois bem ! … Acabemos com estas recapitulações, que me incomodam  Sei que fui um grande extravagante; que malbaratei duas fortunas importantes, e que sempre me valeu o mano D. António! Sei que me educou a filha; que me sustentou o filho em Coimbra por sua livre vontade; que enquanto eu, já com esta idade! — passeava, caçava, jogava o pau pelas feiras, e abria cabeças pelas vielas, meu irmão, não só me não dirigia a mais pequena reprimenda  mas até cuidava no meu bem estar, nas minhas comodidades. Há muito tempo que conclui que sou, ou fui, um doido  um estouvado, um perdulário, e o senhor um bom irmão, homem de siso, generoso, um segundo pai, sem (desgraçadamente!) a autoridade que este titulo traz consigo  Sei tudo isto, repito; e sei também que não sou ingrato, e que o reconhecimento não me sai do coração, mesmo agora que andamos de armas voltadas um contra o outro.

“Os viscondes d’Algiao: comédia” – César de Lacerda (1875)

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