O genuíno homem de Basto.

Meio oculta entre os possantes raizeiros das serras da Cabreira, de Barroso e do Alvão e relativamente afastada das duas antigas vias de Trás -os-Montes (Amarante e Venda a Nova), a região de Basto não participou, pode dizer-se, de qualquer facto histórico de relevo. As únicas «batalhas» que aí se terão travado foram as refregas que uma vez ou outra se derimiam com lodos rodopiantes, por via de qualquer questo de água ou quesílias de romaria. Dessas «guerras», por vezes homéricas, mas obscuras, não rezam as crónicas. Sem toque de cornetim, os dois bandos,  movidos por pundonores de tipo corso ou atávicas malquerenças de «lugares» vizinhos, encontram-se em qualquer sitio ou encruzilhada e, a um simples brado regougado – «Eh, amigos! É agora!» -, entravam a matar, escachando-se o melhor que podiam com pauladas estralejantes e secas. Os atingidos iam caindo de gatas e juncando o chão da refrega. Ao cabo de meia hora (metade do tempo de Aljubarrota) a rixa mortífera estava concluída, levando os que levavam a melhor os seus feridos aos ombros ou em padiolas improvisadas com próprios vergueiros e ficando os vencidos a morder o pó, entre charcos rubros e roncos de estertor.

Estas lutas tão obscuras como  os possíveis combates travados há dois ou três mil anos entre os moradores de Briteiros e de Sabroso são uma espécie de luxo e de timbre da coragem indomável do genuíno homem de Basto.

“Guia de Portugal IV – Entre Douro e Minho”

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