Crónica a eleições de outros tempos

E o que me dizem ás eleições?
D`esta vez foram d’uma pacatez e serenidade de que não há exemplo; não houve cabeças partidas, nem pernas quebradas, nem tiros, nem nada; decididamente as eleições vão perdendo todo o interesse. D`antes havia tumultos, a autoridade reclamava telegraficamente uma força de cavalaria, que partia a galope, e chegava depois de tudo sossegado; os administradores de concelho apresentavam-se com uma guarda de honra de chorudos cabos de policia, armados de paus ferrados ainda mais chorudos e sempre havia algum molho; agora está tudo d’acordo, os gregos e os troianos entendem-se perfeitamente e, d’ahi a sensaboria de se chegar à igreja para exercer esse nobre direito político a que se chama votar e a urna estar já tão cheia com as listas que tinha no seio desde a véspera, que é impossível caber lá mais um simples oitavo de papel e o cidadão ter que voltar para casa (…)

Mas, é muito melhor este sistema; tem a vantagem de que se vai votar com a certeza de se volta para casa são e escorreito e, em tempos que já lá vão, era um tanto arriscadote não estar do lado do regedor da freguesia.

João Pacifico “Tiro e Sport” 30 Junho 1904

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