Interview with Master Nuno Russo

Extensive interview with master Nuno Russo on his life as a martial artist and his progress and work on jogo do pau.

Interview with Master Nuno Russo by Pedro Escudeiro 

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Mestres do Ginásio Clube Português desde 1895 até hoje

Desde 1895 que o Ginásio Clube Português tem apoiado o Jogo do Pau, sendo o primeiro ginásio a ter uma classe desta arte ao lado de todas as outras atividades desportivas praticadas pelo mundo fora. Estes são os mestres que têm orientado estas aulas ao longo destes 3 séculos:

Pedro Augusto da Silva

Artur dos Santos

António Lapa

Humberto Caldas

Frederico Hopffer

Francisco Hopffer

Júlio Hopffer

Armando Sacadura

Nuno Russo

O primeiro “Sportman”

o primeiro sportsmanDesde que um autor dramaturgo em voga afirmou à plateia de um teatro lisboeta que o imortal poeta dos Lusíadas perdera  o olho numa garraiada em Vila Franca de Xira – querendo assim mostrar que a nossa aficion tauromáquica remonta a épocas distantes, é lícito supor que o mesmo esforço de inventiva, que o primeiro sportsman, o primeiro jogado de pau, o primeiro esgrimista, em suma, foi o pai Adão, quando, pela necessidade de defender a pele contra os ataques dos bicharocos anti-diluvianos, pegou no pronto duma árvore e feriu sobre os mesmos bicharocos bordada de cego.

Nestas circunstancias, desnecessário é investigar pacientemente em que data da era crista nasceu o primeiro homem digno de ser qualificado o patriarca dos sports. O pai Adão praticou-os, não direi à maravilha, mas com a intenção do seu valor e se a história não mente, atingiu mesmo uma tal ou qual perfeição na chamada ginástica acrobática, pelas suas cabriolas simiescas.

Já temos, portanto, que em esgrima do jogo do pau, em saltos mortais, duplos saltos, etc, o primeiro homem que Deu colocou na terra foi também o precursor dos atletas antigos e modernos, pelo menos nas especialidade que acabamos de citar.

“Os Sports Ilustrados” nº 29, 31,  de Dezembro de 1910.

Fidalgos da Província

João de Olivença em “Occidente” 30 de Dezembro de 1900.

RECORDO-ME dos fidalgos da província, e com eles convivi na adolescência, e na minha juventude. Foi ontem, sou lembrado que eram a nota pitoresca, simpática, em a sociedade de há trinta anos. (…)

Ao cair da tarde, quando já esmorecia o Malho, o senhor ladrão, o frade, ainda se ouvia o estalejar de um ou outro foguete de sete respostas, e soar o bombo, batido pela enorme vaqueta de cabeça de trapos, e também a serranilha alegre da gaita de foles, que enchia vales e montes de toadas de encanto inolvidável, que pareciam a própria voz das giestas, das congossas azuis, dos belos e verdes olmeiros e das mais árvores e penhas!

Ás vezes sentia-se grande reboliço. Toda a romagem, como onda que vem alastrando corrida sobre uma praia, desmandava-se a um lado, e era grande a grita; e vozes diziam: fujam; e os ébrios, erguendo-se cambaleantes, respondiam: – Qual fugir, nem qual diabo!

As mulheres, tapando as orelhas com as mãos, davam uivos lastimosos. Mas, por fim de contas, era o fidalgo que varria a feira, como lá se dizia, fazendo sarilho com um grande varapau ferrado, e impávido, ia levando diante de si os valentes, que não entestavam com ele, já pelo respeito que lhe tinham, já pelo receio de ficarem deslombados.

Bons tempos e bons fidalgos!

 

 

Provas anuais das aulas de Educação Física na Escola Académica 1906

OOcidente-revista-ilustrada-de-Portugal

“No Dia 24 realizaram-se as provas de educação física, compreendendo ginástica, esgrima de pau e de florete e patinagem.

(…) O programa constava dos seguintes números: exercícios elementares de ginástica, marcha em ordinário e acelerada, ginástica sueca, exercícios no ripado, na trave e nos arcos. Jogo de pau, cortesias e assaltos. Esgrima de florete. Patinagem, quadrilhas, corridas e jogo da rosa. (…)

Todos estes exercícios despertaram o maior interesse dos assistentes, pela perfeição com que foram executados, chegando por vezes a serem calorosamente aplaudidos os alunos, muito especialmente no jogo do pau, tão nosso, tão português que entusiasmou verdadeiramente os espetadores.”

“O Ocidente” N.º 991 ( 10 Jul. 1906 )

 

 

Hier ruht ein tapferer portugiese

O reconhecimento da bravura lusa pelo adversário, também se encontra nos relatos alemães desta batalha. Em muitas trincheiras, só se havia distribuído seis balas a cada soldado português (casos houve em que apenas receberam três)! Tal não significava a desistência da luta. Muitos portugueses pegaram nas suas espingardas e usaram-nas como no jogo do pau. Este pormenor, mencionado num relatório alemão, foi reconfirmado pelos guardas do Museu Militar, (…)

Até ás décadas de 50 e 60 do século passado, recrutavam-se os guardas do Museu Militar de Lisboa, entre os veteranos da Grande Guerra. Muitos gostavam de mostrar a peça mais emocionante na sala da “sua” guerra: uma cruz simples, em madeira, retirada de uma das trincheiras da batalha de La Lys. Era a cruz de uma campa de um soldado de nome desconhecido. Mostra a inscrição em alemão: “Hier ruht ein tapferer Portugiese” (AQUI JAZ UM VALENTE PORTUGUÊS).

Por Rainer Daehnhardt, texto completo em: http://www.grifo.com.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=228

Mocidade Portuguesa

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Jornal da Mocidade Portuguesa Nº 33, Ano III.
1 de Abril de 1939. Lisboa.

“Aspectos da instrução do jogo do pau, no respectivo centro de Lisboa. A «Mocidade Portuguesa» promove assim o ressurgimento dum dos nossos mais interessantes e característicos desportos“


O XIII ano da Revolução Nacional, foi comemorado com um grandioso festival da Mocidade Portuguesa, realizado no campo de Jockcy Clube, e com uma parada da Legião. Na festa da Mocidade, a que assistiram os Srs. Presidentes da Repúblico, da  Assembleia Nacional e do Conselho e todo o Governo, uma multidão entusiasmada aclamou delirantemente o desfile de cinco mil aliados daquela patriótico organização.
A festa compreendeu exercícios de ginástica sueca, saltos e uma movimentada exibição
de jôgo de pau.

“Boletim da Junta de Provincia da Estremadura” – 28 de Maio de 1939

 

Crónica Alegre por Xisto Junior

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Humorismo – Crónica alegre por Xisto Junior

Dos meus tempos desportivos

JOGO DE PAU: Como é do conhecimento geral, o jogo do pau é uma esgrima genuinamente nacional, que conta com a proteção do Estado e da Igreja.

O estado alimenta e auxilia aquele jogo, pondo a funcionar o parlamento, onde rara é a sessão em que não há paulitada grossa, como aquelas da sinécura e da lácuna e ainda outras que o “Diário das Câmaras” regista como recordes do jogo do pau. A religião mostra o seu interesse pelo mesmo jogo, mantendo aberta ao culto a igreja dos Paulistas.

As paradas do jogo do pau têm diferentes designações: se a tacada vem de cima para baixo, chama-se pau do ar; se faz nódoas negras, chama-se pau de sabão; se atinge em cheio o adversário, no alto da cabeça, chama-se pau de cabeleira; quando lhe dá no nariz, nas pernas, nos braços e no céu da boca, diz-se que é pau para toda a obra.

Ás vezes acontece que dois sports-men, dos que cultivam este género de esgrima, realizam, em plena rua, assaltos muito brilhantes, servindo-se das bengalas.

Em regra a policia intervém, leva os assaltantes ao curativo e depois para a esquadra. A estes assaltos à bengala costumam os jornais chamar, impropriamente, cenas de pugilato, quando deveriam chamar-lhes de bengalato.

“O Domingo Ilustrado” Nº 148, 13 de Novembro de 1927