António de Sousa e José Pereira do Tanque – Alunos de mestre Calado – 1985

Parte do trabalho de investigação técnico e histórico do jogo do pau liderado pelo mestre Nuno Russo, nos anos 80, com objetivo de encontrar os mestres mais antigos do país, levou na pegada dos mestres Calado, pai e filho que ensinaram em várias regiões desde os inícios do século XX, como mestres ambulantes.
Infelizmente pouco se sabe sobre os mestres Calado, com quem aprenderam etc…, mas sabemos que ensinavam por várias zonas do país e que na altura desta investigação, eram tidos com grande respeito por grande parte dos jogadores de pau e conhecidos como os mestres mais antigos, conhecidos, em várias regiões.

Nas imagens, temos José Pereira do Tanque (José Batoque) e António de Sousa, ambos alunos do mestre Calado (Pai) a executar e ensinar o jogo do pau, como aprenderam com este mestre.

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Ao centro: António de Sousa, à direita: José Pereira do Tanque (José Batoque), Ambos alunos do mestre Calado (Pai) executando o jogo de 2 em frente.
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Executando o primeiro exercício ensinado pelo mestre Calado antes de começar o ensino do jogo do pau propriamente dito (Esquadria em mão)

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Nuno Russo e o senhor João Vieira Antunes à porta do cemitério onde no recinto exterior os mestres Calados davam as aulas de jogo do pau.

Vieira do Minho – Terra de origem dos mestres Calado (Pai e filho) “Os pretos”

Fotos tiradas em setembro de 1985 por Henrique Andrade

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Exames para faixa Verde no Ateneu Comercial de Lisboa em 1974


Exames para faixa Verde de Pedro Lucas e José Santos no Ateneu Comercial de Lisboa em 1974 com faixas entregues por mestre Pedro Ferreira.

Jogo do pau examination under master Pedro Ferreira

O Jogo do Pau – Desportos Revista – 1983 (1/4)

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Nuno Russo

Um pouco de história

O Jogo do Pau português também conhecido por «ESGRIMA NACIONAL», é uma arte de luta tipicamente portuguesa em que a arma é um simples pau direito e liso, aproximadamente da altura de um homem, e manejado adequadamente por cada um dos contendores, que com ele procuram, por um lado, atingir o ou os adversários e por outro defender-se dos golpes por estes desferidos.

Esta arte de luta, cuja origem remonta aos primórdios da nossa nacionalidade, teve o seu berço no norte de Portugal, mais concretamente no Minho,onde começou por ser uma técnica de defesa e ataque, própria das gentes e da cultura campesinas. Daí se expandiu para Trás-os-Montes e mais tarde para o Sul, onde também se veio a fixar, principalmente na Estremadura e Ribatejo.

Nestas regiões rurais o pau,varapau ou cajado, fazia (e por vezes ainda faz) parte da indumentária normal do homem do campo, associado essencial-mente às suas deslocações a pé ou a cavalo como companheiro e apoio, e sobretudo como arma elementar para se defender de eventuais agressões de outros homens ou animais. Com ele se resolviam todos os problemas diários que provinham sobretudo de rivalidades entre aldeias, de namoros, desvios de aguas de irrigação, etc. Raras eram as vezes ( sobretudo no norte do País ) que as feiras ou romarias não terminassem com paulada entre moços de freguesias diferentes ou pior ainda se envolvessem em desavenças aldeias inteiras,que se defrontavam em combates sangrentos e até mortais.

Este facto de o povo saber manejar o pau foi uma riqueza que serviu a nossa História não só em lutas internas – na revolta da Maria da Fonte, nas lutas entre liberais e absolutistas – mas também em defesa contra o invasor como aconteceu quando as tropas francesas pretenderam invadir Portugal entrando pelo Minho.

Só no final do século passado o Jogo do Pau se implantou em Lisboa. Aqui, sob condicionalismos muito diferentes dos da província, o «espírito» deste nosso Jogo altera-se. Liberto que está dos imperativos de luta que o acompanhavam nas origens em época e região, vemo-lo agora virado para o aspecto desportivo e ser praticado em Salões e Ginásios. Destes, o primeiro a introduzir a prática do Jogo do Pau como desporto foi o Real Ginásio, hoje Ginásio Clube Português. Esta transformação do Jogo do Pau bélico em Jogo Desportivo iniciada na capital, estendeu-se com o tempo a todas as escolas do norte e sul do Pais.

Mas apesar desta transformação bem como das pequenas diferenças técnicas existentes entre as várias escolas, o Jogo do Pau português continua a manter intacta toda a pureza da sua prática original.

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Carlos dos Santos e mestre Nuno Russo na Rádio Renascença

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Polícia de Choque treina jogo do pau – 1986

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Como «actividade circum-escolar, na base do voluntariato», o Corpo de Intervenção da PSP está a aprender o jogo do pau, «a mais antiga luta tradicional portuguesa». Sob o olho atento do mestre Nuno Russo, do Ginásio Clube Português, 40 policias de choque alinham, duas vezes por semana, no ginásio daquela corporação e oferecem a quem assiste um exemplar espectáculo de paulada à lusitana.

Não é a primeira vez. Já o ano passado quatro dezenas de soldados do Corpo de Intervenção completaram com êxito um curso similar, salpicado a meio com uma demonstração formal que incluiu uma classe «concorrente» do Corpo de Fuzileiros. Nem a instrução da modalidade se limita a tropas especiais: a sua introdução na Academia Militar tem fervoroso adepto no 2.º comandante daquele estabelecimento, brigadeiro Figueira – conhecida figura da esgrima desportiva.

Ao contrário do que à primeira vista poderia parecer, a polícia de choque da PSP não se prepara para vir para a rua de paus na mão –  disse ao T&Q o Comandante do CI, tenente-coronel de Cavalaria Soares Monge. E explicou: «O Objectivo é, primordialmente, melhorar a preparação física e a destreza do pessoal. Ao mesmo tempo ajudamos a recuperar esta arte de luta tipicamente portuguesa».

Jorge Morais “Tal & Qual” 24 de Janeiro de 1986